Lírio

Tem dias que o céu tá cinza e posto a descer sobre nós porque parece que internamente estamos de igual forma, e que o Senhor compreende nossa necessidade de companhia. Não  nos digo desequilibrados. Mas precisamos desaguar. Tem um monte de afluentes que não  seguem o curso pra lugar nenhum e que se estancam em poças. Isso é o que- livrai-me desse rótulo, senhor!- pessoas normais chamam de tristeza. Nem toda tristeza é ruim, aliás. Muitas são sopros de reflexões absurdas e que nos fazem recorrer a alguns pedacinhos escondidos nossos , partezinhas que precisam realmente serem pinçadas para virem à tona.

Depois de muito tempo a gente descobre que tem coisas que ainda doem se reviradas, mas que precisam ser sentidas pra não entulhar mal-me-quer em nossos peitos. E quem me quer mal? Se não somos nós que escolhemos e nos responsabilizamos por nossas cargas afetivas, quem me nos faz mal?

Não que seja ruim ou bom. Mas pensar e colocar esses espelhos refletindo o que conseguimos até agora é dolorido. E, olha… Não é fácil querer olhar o que realmente dói ou o que faz pesar aqui, onde os outros não veem mas julgam ( julgo por me julgarem?).

Crescer é quando a gente despenca de uma árvore em que parecem só morarem seres brilhantes e cai na lama de um monte de expectativas e frustrações que respiramos esperançosos que nossos alvéolos não retivessem coisa alguma… Tontos, esquivamos de nossa expiração. E dói expulsar o que tava machucando.

Mas o lírio nasce aí; no que aduba o belo.

 

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