levanta

tem momentos da vida em que a gente prende fôlego como se o que tivesse guardado fosse doer expirar; quem deixa de perceber nessas introspecções um chance de crescimento, perde também significado de cada agulha que arranha pra não ficar. não é todo dia que fica tudo bem pra respirar. as vezes não concordamos com gelo seco, química, com o que for de sujo que inevitavelmente estamos mergulhados. e nem por isso. nem por isso é possível deixar de sentir ou evitar. já que é sem razão não querer dar sentido aos passos que decidimos tomar. é sem razão também lamentar coisas que poderiam ter sido. não dá. a gente abre mão de um monte de caminhos e escolhe por prioridades de momento ou sentimento tomar outros. daí ficar pensando que poderia, deveria, se fosse assim, etc. não há nada mais frustrante. e aí vem a culpabilização dessas agulhas que fincam, muitas vezes covardes ou cegas ao que já ta aberto e não cabe mais furar, vem um turbilhão de momentos que machucam de verdade e decidimos razoar o que teria sido se fosse outra a história há um tanto de escolhas muito passadas. não dá. não dá pra lamentar isso porque com toda certeza, esse derrotismo traz mais um tanto de frustração pra o que há de vir depois, e depois, e depois. tá doendo? ok. pode ir fundo com tudo isso, mas tira lição do que for de mal-me-quer e caminha. não fica beirando desespero e perdendo detalhes porque aí sim, vai ser mais complicado depois.